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Artigos » Como eu Penso

Como eu penso

jorgeraggi@geoconomica.com.br  – Outubro/2020

Quando não é me é possível ser reflexo, espontâneo, eu muitas vezes recalco [1] o meu modo de comportar e passo a operar mais ajustado ao ambiente (operante).

O exemplo a seguir já foi utilizado em um ensaio sobre gestão publicado em 1996 [2]. É também como eu penso e ajo atualmente. Imaginemos duas empresas: a MEC, que executa serviços de manutenção mecânica para a ABA, sua cliente. Jorge (eu), dirigente da MEC, percebe que poderia propor uma terceirização à ABA. Estuda, elabora projetos, analisa riscos, levanta formas de propostas, prepara contratos de gestão, e vai ao encontro agendado com a diretoria da ABA. Na reunião, Jorge está confiante e expõe sua proposta de modo equilibrado, bem preciso, acreditando que, em vista de seus bons argumentos, ela será aceita.

Um diretor da ABA, com ciúme do sucesso inicial de Jorge, tenta prejudicá-lo perante os outros diretores, que gostaram da proposta, com o comentário: “Mas a MEC é uma firma pequena, e seu melhor encarregado sempre quis ser nosso funcionário. Se ele sair, você não poderá nem continuar como nosso prestador de serviços, quanto mais como uma empresa capaz de responder a um contrato de gestão.”

A fala do diretor age como um estímulo [3] e poderia provocar um sentimento de raiva/ódio e uma ação de revide à agressão. Entretanto, Jorge prefere, conscientemente, recalcar o impulso de raiva e operar a si mesmo.

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A ação operante ocorre no momento em que Jorge responde que conhecia outras pessoas plenamente capacitadas a substituir seu encarregado, caso se afastasse.

O reforço a essa ação ocorre externamente quando o diretor que o provocou engole em seco e os outros participantes da reunião sorriem.

Nós temos uma capacidade de autocontrole do sentir. Podemos, em determinadas condições, recalcar o que sentimos, operar um novo sentir (em vez da raiva, operar o sorriso confiante) e agir de forma operante. Se obtivermos o reforço, poderemos confiar no autocontrole. O recalque do nosso sentir pode ser interno (consciente e inconsciente) e externo (de forma explícita ou implícita). O recalque externo pode ocorrer, por exemplo, quando somos contidos pelo ambiente ou por pessoas. O exemplo apresentado mostra como eu, na pessoa de Jorge, processo a divisão interna (clivagem), de uma forma consciente e construtiva para mim.

Mas podem existir problemas no autocontrole no estado inconsciente quando eu não percebo que sou eu mesmo que bloqueio o agir reflexo. Isso pode ser, por exemplo, devido a dores emocionais, a situações que, recalcadas no estado inconsciente, desde criança, gerariam sofrimentos se viessem à consciência. O operante conduz o seu modo de ser incorporando outras estruturas que provocam menos dores emocionais. Este é o conceito de economia emocional. Mesmo que mude o ambiente, uma vez criada a estrutura, eu continuo praticando esse autocontrole e continuarei por toda a vida, evitando reviver  situações que causaram muitos desconfortos.

Operar a si mesmo é a tentativa de dirigir e programar o próprio comportamento humano. A visão de robôs, zumbis agindo como pessoas, é o extremo da operacionalização. E, por outro lado, não é possível viver só com o comportamento reflexo.

Talvez um dia eu consiga reduzir mais os recalques das respostas comportamentais para sentir maior prazer reflexo, e agir reflexo. Diante do que eu consegui até agora, vou continuar para agir com mais integração e sempre que possível permitir mais o prazer reflexo para desenvolvimento da consciência.

REFERÊNCIAS

[1] Recalque é um conceito muito utilizado na Física, nas Engenharias, na Geologia, como exemplos de interdisciplina. Seu uso na psicanálise foi colocado aqui em uma junção com a psicologia do aprendizado e a gestão. A interdisciplina é muito incentivada, mas corre risco quem a pratica e a pessoa pode ser mal vista por conhecimentos não tão bem colocados. Para quem visa descrever realidades ainda difíceis de serem visualizadas, pode ser um caminho, mesmo com as dificuldades e falhas. Lembro-me sempre da Escola de Minas de Ouro Preto quando universitário, época em que fiquei a par de um professor “purista” de geologia ter chamado outro de prostituto de geologia. Este era da área de ciência aplicada, e aplicava bem para os empresários que contratavam seus serviços como consultor.

[2] “Empresa: a influência do seu dirigente.” Jorge P. Raggi. Ed. Geoconomica Minas. BH. 1996.

[3] O ESTÍMULO [E] – RESPOSTA [R] é como eu penso. A um estímulo recebido pelos meus sentidos emito uma resposta (comportamento). Aos sentidos de visão, audição, olfato, paladar, tato, acrescento o denominado “sexto sentido” da percepção. Posso utilizar reforço positivo ou negativo; contínuo ou intermitente. O entendimento de E – R possibilitou sentir e conhecer como é o pensar e as ações, em uma explicação simplista.

O livro “Eu, primata”de Frans de Waal, Cia. das Letras, SP, 2007, pode aprofundar o conhecimento de si mesmo, comparando com nossos parentes mais próximos.

 

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