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Artigos » O ABC DOS MITOS AMBIENTAIS

Artigo publicado no “Wall Street Journal” e reproduzido na Gazeta Mercantil (1996), do livro “Facts, Not Fear: A Parent´s Guide to Teaching Children about the Environment”

Michael Sanera e Jane S. Shaw

Sem muito alarde (ou sem audiências públicas) um grupo de ativistas emprol do meio ambiente está discretamente pressionando para que a Lei sobre educação Ambiental em 1990, aprovada no senado e a ser analisada pela Câmara seja novamente sancionada.

A lei de 1990 criou a Divisão de Educação Ambiental da Agência de Proteção Ambiental (EPA), que nos últimos cinco anos recebeu US$ 34,9 milhões em doações. Mas os resultados foram minguados. Tomemos por exemplo às dissertações de treze estudantes de segundo grau da Canyon View Elementary School em Tucson, Arizona, publicadas recentemente num jornal local. Das janelas da escola as crianças observaram uma incorporação imobiliária em construção. Não gostaram. “O deserto era lindo, mas estão acabando com ele” escreveu a criança.

“Adoro cheiro das plantas, mas o trabalho de terraplanagem para a construção de apartamentos acabaram com elas”, escreveu outra. “Na nossa classe costumava ir ao deserto para escrever e realizar algumas atividades escolares”, escreveu um terceiro, “mas hoje o espaço está sendo usado para a construção de moradias de que as passoas de vedade não necessitam”.

Moradias de que “na realidade não necessitam”? Em que tipos de moradia vivem, então, esses jovens escritores? Por mais absurdo que pareça, é essa a situação da educação ambiental nos dias de hoje, seguindo as idéias dos professores sobre “biodiversidade” e “preservação”. Os exemplos são tão flagrantes que mesmo revistas especializadas em meio ambiente observaram:

“Derrubam árvores para fabricar minha cama”, lamentou uma menina de seis anos. O comentário da criança levou a mãe a examinar com mais atenção o que estava sendo lecionado. “Como se as crianças não tivessem coisas suficientes com o que se preocupar hoje em dia – AIDS, guerra, fome -, os ambientalistas estão ensinando que o próprio planeta em que vivem corre perigo”, escreveu na revista Audubon.

Os livros sobre educação ambiental para crianças são parciais e incompletos

Patrícia Poore, escrevendo para a revista Garbage, concluiu que o que se ensina sobre meio ambiente é, “na melhor das hipóteses, incompleto; e, na pior, desnecessariamente pessimista e falacioso”; termos como ameaça, catástrofe, colapso, escassez, desastre, alarmante, degradação e mortal são onipresentes.

Nosso próprio exame de mais de 140 livros escolares e 170 livros sobre meio ambiente escritos para crianças mostrou que nas questões relevantes, a “educação” é rigorosamente parcial. Por exemplo, as crianças não aprendem nesses livros:

- Que o estudo científico mais extensivo já realizado sobre o tema (o Programa Nacional de Avaliação das Precipitações àcidas), financiado em US$ 500 milhões pelo governo federal, concluiu que a temida chuva ácida prejudicou apenas um pequeno número de lagos. Em vez disso, ensina-se aos estudantes a misturar água e vinagre para observarem como “a chuva ácida destrói as plantas”.

- Que reciclar pode representar um desperdício de energia e de recursos naturais, além de poluir, e que isso não salvará as árvores. Em vez disso, os livros didáticos utilizam slogans sobre a reciclagem como “a solução do futuro para o lixo sólido”.

- Que a taxa de crescimento populacional mundial caiu acentuadamente, e que a população mundial deverá estabilizar-se no final do próximo século.

Eles aprendem, ao contrário, que a tecnologia “apenas postergou o momento em que a Terra será insuportavelmente populosa”. Que a política chinesa de permitir apenas um filho por casasl pode parecer restritiva, mas que o crescimento populacional traria “consequências muito piores”.

A Divisão de Educação da EPA nada fez para solucionar os problemas referentes a exageros e preconceitos. Na verdade aconteceu o contrário. Em recente relatório apresentado no Congresso sobre a implementação da Lei, a Divisão reclama de uma “ênfase desproporcional” dadas às atividades voltadas para a ciência na atual educação ambiental; em vez disso, a Divisão desejaria que a abordagem fosse menos específica e mais interdisciplinar. Alguns anos atrás, a EPA publicou um guia, o “Environmental Science Education Materials Review Guide”, que estabelecia que a matéria deveria “refletir a política da EPA no tocante aos tópicos explorados”. A EPA está descaradamente defendendo uma ação política e não irá tolerar nenhuma divergência em relação a suas posições.

A EPA acredita que o problema número um é que a educação ambiental “não tem sido uma prioridade em qualquer nível de nosso sistema educacional ou social”. Para corrigi-lo, a agência está se concentrando num programa de treinamento de professores e doou quase US$ 2 milhões para a Associação Norte Americana de Educação Ambiental (NAAEE) – grupo de educadores, ambientalistas e grupos empresariais – para desenvolvê-lo. (Não surpreende que os diretores da NAAEE estejam insistindo junto aos seus membros para que apóiem a prorrogação da lei).

Não se mostra as crianças que reciclar pode ser um desperdício de energia e recursos naturais.

O NAAEE está tentando se livrar das críticas dando novas “diretrizes” às escolhas nas matérias de educação ambiental. Mas as diretrizes esboçadas são inúteis e superficiais. Em parte alguma se encontra um descrição do que hoje faz parte do currículo. As novas diretrizes estabelecem que a matéria deve refletir “teorias bem fundadas e fatos bem documentados” e “posições e explicações científicas e socialmente plausíveis”. Mas não definem o que é “bem documentado” e “socialmente plausível”. Quando propusemos algumas especificações, como por exemplo que a questão da chuva ácida deveria incluir os resultados do estudo feito pelo NAPAP, ou que a questão populacional deveria mostrar que a taxa de crescimento da população declinou, funcionários do NAAEE deram mil desculpas tentando mostrar que não seria possível.

Além do programa de treinamento de professores, a EPA financia projetos em todo o país, como o que tem por finalidade ajudar as crianças a “tomar decisões bem fundamentadas sobre o estilo de vida que virão a adotar” e outro com o objetivo de desenvolver “um programa modelo de educação juvenil sobre justiça ambiental”. Numa época em que a educação básica vem decaindo em nossas escolas, será que precisamos de apoio federal para perpetuar esse tipo de “educação”.

Não acreditamos nisso. Achamos que pais desejam que a educação ambiental de seus filhos esteja fundamentada em um ciência e uma economia dignas de seu nome. Até agora, isso não aconteceu.

 

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