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Artigos » MINERAÇÃO EM SANTA BÁRBARA

Jorge P. Raggi 22 / 11 / 2.004

 

geoconomica@geoconomica.com.br

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O Projeto Instituição Santa Bárbara propõe “criar motivos sólidos para que as pessoas, entidades e organizações se integrem no esforço conjunto do desenvolvimento de Santa Bárbara e região, garantindo o resgate dos valores culturais, o crescimento do cidadão e a preservação do meio ambiente.”

Uma das formas de elevarmos nossa qualidade de vida pode ser através da melhora da nossa auto-estima. Estimo muito Santa Bárbara, tenho profundo respeito e admiração pelas terras deste município. Conheço bem suas montanhas, rios e vales. E é esta consciência que tenho, que desejo compartilhar aqui hoje, como uma homenagem aos 300 anos de Santa Bárbara.

No Dia Internacional da Água, 22 de março, ano de 2.000, publiquei um texto sobre o presente e o futuro da água, onde destaco :

“Vale lembrar, em números gerais, que cada pessoa necessita ingerir 2 litros de água por dia, pura ou com alimentos, mas para maior conforto é necessário 50 a 200 litros por dia, para uso doméstico na preparação das refeições, limpeza, banho. Mas estes quantitativos são aparentes e pequenos diante da realidade. A produção de alimentos requer muita disponibilidade de água: 1.500 litros para 1 kg de trigo, de 1.200 a 4.500 litros para 1 kg de arroz, 3.500 litros para 1kg de frango, 100.000 litros para 1kg de carne de boi.

Uma alimentação saudável importa num consumo de mais de 3.000 l/dia para sua produção. Devemos acrescentar ainda água para produção de roupas, insumos industriais, usos públicos. A rouparia exige muita água, há necessidade, de 10.000 litros de água para produzir 1 kg de algodão bruto, que terá que ser industrializado com mais consumo de água. Esta cultura tem sido responsável, em alta escala, numa mesma região, por abaixar o nível da água no subsolo, provocando danos irreversíveis. E onde a natureza esconde a água, haja recursos para buscá-la.

O setor industrial precisa de pouca água em relação às necessidades para alimentação. Uma indústria considerada grande consumidora utilizando 1,5 milhões litros por dia equivale à produção de alimentos para 500 pessoas por dia ou 100 famílias/dia. A grande preocupação na área industrial é o controle das substâncias nocivas nos seus efluentes.

A poluição crescente provocada pelas comunidades urbanas tem atingindo níveis críticos na capacidade da natureza de depurar a água. A qualidade das águas exigirá mudanças de comportamentos de todos nós. E estamos falando de Belo Horizonte que é uma caixa dágua. Aqui podemos considerar felizes por não preocuparmos com quantidade. Ao norte do Estado, está o Vale do Jequitinhonha, onde muitas comunidades recebem 200 l/família – semana ou menos de 5 l/dia, de caminhões pipa, para todas suas necessidades, durante alguns meses do ano.

Entre as invenções e construções do século XX, a canalização da água até nossas residências, foi uma das que trouxe mais conforto e qualidade de vida. Imaginemos, se para reparar danos na captação ou nas grandes tubulações, houvesse falta de água por 10 dias somente.”

É impressionante a malha hídrica superficial do município de Santa Bárbara. – Mapa .

Água é um bem mineral, da natureza, assim como é o petróleo, produto de nossa atual matriz energética. Consumimos por dia, mais de 1.500.000 barris de petróleo. Água e petróleo são vistos com nobreza, mas e o ferro? É só olhar à nossa volta :

Ferro em todas as construções, nos fogões de cozinhas, geladeiras – as cervejas geladas -, veículos de transportes, navios que distribuem este minério de Santa Bárbara para todos os portos e siderúrgicas do mundo. Imaginem a falta deste minério em nossa civilização! Mas infelizmente, com é dito por nós que atuamos em produção: a sociedade quer os produtos, mas não valoriza a produção – onde tem lama, suor e sangue – porque não há modo de produzir sem um ou outro ferimento, até mesmo com acidentes fatais.

O ferro é uma substância tão integrada em nossa civilização, como a água e a energia. Os equipamentos que aram a terra, que fabricam as nossas roupas, que processam nossos alimentos.

A partir da produção nas minas, com poeiras, rejeitos, é que sai o minério para a indústria siderúrgica, onde as chapas vão ser industrializadas e gerar os produtos expostos nas lojas – limpos, bonitos, iluminados. A origem é a mina ! E as minas produzem em Santa Bárbara.

Minas são indústrias extrativas, ao lado do extrativismo da agricultura que nos alimenta. Minas exigem uma gama de produtos, desde explosivos para o desmonte, escavadeiras, carregadeiras, caminhões, equipamentos de britagem e peneiramento classificatório, pátios de estocagem, almoxarifado de peças, oficinas, escritórios, segurança operacional e ambiental, mobilizando um grande número de empresas.

A exportação de minério de ferro, foi bem colocada por Amaro Lanari Júnior, da USIMINAS. Na sua bibliografia, publicada por esta empresa, em 2.002, ele relatou às autoras, sobre a grande controvérsia que iniciou em 1.910, quando o Congresso Mundial de Estocolmo divulgou as magnitudes das reservas em Minas Gerais. No ano seguinte, fundou-se a Itabira Ore Co., que comprou o Pico do Cauê. Houve grande reação, amplo debate nacional, e na década de 20, estava de um lado, Arthur Bernardes, então Presidente de Minas e, de outro, o empresário Percival Farquhar, que comprara a Itabira Iron em 1.919.

“O projeto de Faquhar era ambicioso, prevendo a exportação de 4 milhões de toneladas de minério de ferro e a montagem de uma usina siderúrgica de 150.000 t / ano. Aprovado pelo Congresso Nacional, o projeto ainda precisava da aprovação da Assembléia Legislativa de Minas. Dr. Lanari manifestou, em 1.995, sua opinião sobre o polêmico contrato e o nacionalismo que prevalecia no Brasil daqueles tempos.

… O Brasil era um zero à esquerda, e sempre se achava que o estrangeiro ia tomar conta. Isto era política, não economia. Mas sempre se criou essa mentalidade de que ‘minério não dá duas safras.’ O raciocínio era baseado em que tirar minério do Brasil era o mesmo que tirar um pedaço do Brasil de graça. Essa era a compreensão geral. Uma vez, conversando com o Deputado Ultimo de Carvalho, ele me disse que mineração só deixava buraco. Eu disse : ‘mas você sabe o que é divisa? O que é criar divisa? Que quando a gente exporta fica credor no outro país e recebe pela mesma importância? De modo que não se está entregando de graça, e sim vendendo, está trocando aquele minério pelo seu valor de mercado. Se quer exportar vá ao Banco do Brasil, que te paga em cruzeiros e fica com o valor de dólar lá fora.’ Ele não sabia dessas coisas e era um deputado influente.

Havia um pouco dessa compreensão na elite mineira desse tempo, havia aquele nacionalismo mais sentimental do que propriamente prático. Aquela preocupação de empurrar para alguém a culpa do atraso brasileiro, quando a culpa era nossa, de nossa ignorância.”

Assim como plantamos a soja e a arrancamos do solo; como criamos o gado e vendemos a carne, extraímos minério de ferro e geramos divisas. Divisas que os chineses também geram quando extraem os minérios para fabricarem as pequenas lâmpadas de natal, com as quais decoramos todo o nosso país.

A mineração foi, recentemente, alvo de intenso ataque de ONG’s ambientais, até pela chamada poluição visual. E por ter sido muito agredida, e ser uma atividade básica para todos nós da sociedade, soube mobilizar-se e oferecer, talvez, as melhores respostas do ambiente empresarial moderno. A mineração em Santa Bárbara é um exemplo para Minas Gerais, o Brasil e o Mundo.

Em 1.994, a partir de um trabalho de planejamento estratégico para a Mineração São Bento, fomos convidados pelo então gerente da empresa, e também Secretário Municipal da Prefeitura de Santa Bárbara, Marcus Vinicius Silva, a realizar um Plano Diretor de Mineração. Consensuamos os objetivos :

• Alavancar a receita do Município na cobrança justa dos Royalties de mineração e no imposto sobre ouro.

• Levantar os problemas advindos da atividade minerária no município (depósitos de rejeitos, barragens, assoreamentos de rios, córregos e nascentes).

• Levantar os benefícios da atividade minerária como estradas, empregos, impostos, desenvolvimento da mão-de-obra, empresas terceirizadas.

• Implantar na Prefeitura um acompanhamento sistemático das minerações objetivando uma parceria de qualidade, desde a fase de implantação do projeto até a exaustão da mina, e utilização final das áreas de lavra.

Identificadas as empresas mineradoras, e um grande número de outras terceirizadas, iniciamos um projeto de encontros mensais, convidando todas as empresas envolvidas, a fim de estimular o desenvolvimento econômico, social e ambiental. Este trabalho estendeu-se pelo ano de 1.995, até o nono encontro, quando uma grande empresa, sentindo-se muito reivindicada, exigiu o término desta estratégia operacional.

Gostaria de dizer que este modelo pode ser retomado. Para que as grandes empresas possam produzir em Santa Bárbara, há necessidade de numerosas outras que interagem e se integrem no processo. E as empresas são o início e a base de sustentação social. Deve ficar bem claro, que primeiro temos que ter o econômico, para depois, e com as riquezas geradas pelo econômico, é que podemos promover o cultural e o ambiental. A continuar a inverter esta escala, corremos o risco social de não produzirmos resultados reais. Entendo que assim, como a sociedade tem pouca percepção do produto ferro em todas as nossas atividades, tem também da base de sustentação econômica.

As principais empresas atuantes em Santa Bárbara são: CVRD, MBR, ANGLOGOLD, ALCAN, Minas da Serra Geral, São Bento Mineração, Pedreira Um. Existem ainda nas vizinhanças, empresas siderúrgicas que verticalizam o minério de ferro: Gerdau e Belgo Mineira. Cabe também ressaltar um grande número de empresas terceirizadas que atuam nos processos de produção, que por sua vez, movimentam outras nas mais distantes cidades. Assim, o município de Santa Bárbara, através de suas riquezas minerais, ferro e ouro, principalmente, gera empregos aos mais distantes lugares onde são produzidas as mais variadas peças de reposições, explosivos, brocas, ferramentas, borrachas, eletrodos, tubos, fios, instrumentos de controles, óleos e graxas, combustíveis, gases, motores, parafusos, produtos químicos diversos, pneus, serviços de informática. Não podemos esquecer ainda da produção de peças e equipamentos elétricos, as quais são planejadas e executadas por um grande número de profissionais das mais variadas gamas de atuações, nas cidades vizinhas, no estado, no Brasil e no mundo.

 

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