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Artigos » MERCADO DE TRABALHO

Artigo publicado no Jornal do Sistema FIEMG em maio de 1994, na página 19.

Não há empregos no Brasil, mas existe muito trabalho a fazer. A situação atual pode estar mostrando a falência do mercado de empregos e o desenvolvimento do mercado de trabalho.

O mercado de emprego, visto pela pessoa que busca o emprego, pressupõe que a sociedade e o -governo devam providenciar colocação para os formandos, ¬atendendo às suas aspirações, à qualidade de vida, especialização, crescimento, realização, salário digno, respeito humano e, ainda, a valorização do diploma e do preparo informativo. Na suposição de ser imprescindível, o ¬formando se imagina um credor ¬na sociedade, o que é uma ilusão.

A própria busca do emprego é um exemplo de trabalho, pois significa procura, informações sobre empresas, pessoas e locais para contatos, agendar datas, se propor a viagens, entrevistas, testes de seleções. Trata-se, ainda de procurar e não ser atendido, ser recebido com indiferença, frieza e, o pior, com falsas promessas – mas continuar tentando. Mesmo a ajuda de pessoas interessadas, de amigos, parentes, necessita de tempo. Elas precisam ser contactadas, não só na hora da necessidade, mas com antecedência, delicadeza e tempo. Deve ser responsabilidade da própria pessoa sua adequação à realidade e não ficar esperando que a sociedade a elas se adapte.

Quando a pessoa aprende a produzir, se torna mais segura. O trabalho significa garra, empenho, dedicação, esforço, dispêndio de energia física e mental: é dar de si, é uma ação.

Na universidade, trabalhar é estudar para aprender a agir, pesquisar para compreender, planejar atividades, ousar, tentar. Não é apenas estudar e frequentar aulas para fazer provas.

Uma boa orientação para o mercado de trabalho é o conhecimento de si mesmo, das suas haibilidades pessoais e comportamentais. Quando se permite abertura, pode-se obetr informações acerca do modo de ser com colegas, amigos, professores e parentes. É possível ser informado de condutas e assim melhor se orientar. Por exemplo, existe nos universitários do último ano uma sensação de que nada sabem. Parece que este sentimento, consciste em uns e não consciente em outros, advém de fato de que estão informados, mas não formados. Não é uma sensação, mas uma realidade, decorrente do fato de que ainda não sabem trabalhar na profissão, com segurança. Estar ciente disso seria o primeiro passo em direção a um trabalho produtivo.

FORMAR UMA PROFISSÃO

Para se formar uma profissão é preciso trabalhar, errar, correr riscos, assumir responsabilidades. É preciso aprender a lidar com crises. Essa busca no mercado de trabalho pode ser vista como uma crise, é a passagem da vida universitária para a vida de trabalho. As instabilidades econômico-financeiras e políticas poderão se tornar mais freqüen tes no mundo atual e passar a exigir mais trabalho real e menos emprego.

Os líderes e empresários brasileiros há muito lutam pelo dia se¬guinte, e esta pode ser a futura realidade para todos. Daí podemos concluir que cada vez mais será necessária uma preparação do profissional voltada para o desafio do trabalho concreto e integrante do dia-a-dia.

No Brasil existem 3,5 milhões de micro e pequenas empresas e um número maior de oportunidades. Mas se não existe emprego para todos, há trabalho. Para atingir este universo é preciso se oferecer, criar abertura para negociações, ser criativo e inovador.

“Jorge Raggi é engenheiro, professor e consultor de empresas.

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