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EU

jorgeraggi@geoconomica.com.br   ag. 2020

Nossa linguagem ainda não acompanhou o avanço da consciência. Dizemos meu braço, meu celular, como exemplos. Mas o braço não é meu, sou Eu. Agora, o celular é propriedade minha, pertence a mim e está fora do meu corpo. É meu.

Pesquisadores das neurociências descobriram que não existe um lugar no cérebro que contenha um espírito ou uma mente. A mente se origina da interação de diversas partes do cérebro. Se faltar uma, por acidente como exemplo, podem ser suprimidas função ou funções. Há no mundo pessoas que perderam partes físicas inclusive do cérebro e consequentemente as funções correspondentes, que foram estudadas e provam essa realidade [1].

Os estados mentais ou psíquicos Inconsciente e Consciente não são lugares localizados. Melhor seria dizer Eu no estado consciente; Marcos, inconscientemente,… (no estado inconsciente). Nosso comportamento é ainda dominado por inconsciência. Entre as espécies, se nós humanos desenvolvemos mais a consciência, podemos desenvolvê-la muito mais.

Criamos, e desconhecemos ainda como, vários tipos de medos (de sobrenatural, de vírus, de bactérias,…), ansiedades (medos de sentir medos), baixa estima, inseguranças, depressões, violências, e muitos males que nos assombram, cujas origens são desconhecidas. Essas criações internalizadas, com as quais podemos até nos autodestruir, e ou, projetar nas pessoas, somos nós mesmos que criamos no estado inconsciente que faz parte do Eu. Sófocles escreveu Édipo Rei há mais de 2.400 anos penalizando o mal que fazemos mesmo no estado inconsciente [2].

A escatologia é um comportamento que somos treinados a criar na sociedade. Tudo está mal, vai acabar. A imprensa agradece, pois tragédia atrai público e todos passam a comentar sobre tal assunto. As boas notícias não rendem. Como exemplo, as mudanças climáticas, locais, foram generalizadas para o planeta todo. É muita ignorância da geologia a crença de que o humano possa impactar a Terra. Felizmente não temos vulcões, mega vulcões e grandes terremotos atingindo regiões para comprovar o que realmente impacta. Em torno de 50 km de profundidade a partir de onde pisamos, na vertical, a temperatura atinge, em média, 1.000ºC. Vivemos em grandes equilíbrios no universo, no nosso planeta e em cada um de nós no estado inconsciente. O quanto a descobrir em profundidade e complexidade é muito desconhecido.

Entre as várias escolas do budismo, há uma que ensina: você não precisa almejar ser como Buda. Já é! Perceba! Talvez de modo similar possa ser dito: existem muitas crenças que impedem a percepção que Eu sou uma realidade, Eu sou Eu, Eu sou o corpo. A liberdade que vem dessa descoberta de integração humana, de totalidade, de me tocar e sentir, de sentir toques, pode caracterizar um novo EU, com maiúsculas. Um EU mais consciente, que descobre sua grande ignorância, suas potencialidades e adquire uma visão sem pessimismo do futuro. Quem somos nós para diagnosticá-lo.

Grande parte do mal que vemos no mundo passado e atual advém de nossas criações internas, ignoradas pelo estado consciente de cada um de nós. Puxar para si próprio as criações inconscientes é uma estratégia para avançar no conhecimento de si mesmo. Não sabemos (ignoramos) ainda os males que criamos para nós mesmos, mais no estado inconsciente, e os projetamos nas pessoas.

A violência pode ter uma das origens no ódio a si próprio inconsciente, que,projetado, transforma-se nas manifestações de ódio que presenciamos no dia a dia. Se conseguirmos evoluir e reduzir a violência internalizada, poderemos exteriorizar essa mudança de comportamentos no mundo exterior. Um novo EU, em um futuro próximo, poderá comprovar essa proposição. Para nos adiantarmos nessa sinalização, um avanço seria desenvolver um pensar mais indutivo que dedutivo [3]. E é para lá que podemos ir contrariando os escatologistas de plantão.

REFERÊNCIAS

[1] O artigo “Um novo eu e a gestão”, de minha autoria, outubro/2019, há mais detalhes, assim como em “Mudanças Sociais”, jan. 2020. Publicados no LinkedIn e Google em meu nome, e no site www.geoconomica.com.br

[2] UM CASO de punições por ações inconscientes. Ed, dirigindo em noite de tempestade, esbarra em um carro, mão contrária, que perde o controle e vai cair em um precipício mais à frente no avanço. Ed não percebe o acidente, pois várias tragédias ocorreram naquela viagem. Tempos depois fica encantado por Jó, artesã bem sucedida, uns vinte anos a mais do que ele, linda, jovial, encantadora. Casa-se com ela, têm três filhos. Um dia descobre que fora adotado em orfanato, começou a trabalhar aos 18 anos, aos 30 estava rico. E mais …

O carro que abalrroara na estrada e caíra no precipício era dirigido pelo seu próprio pai biológico. Casara-se com sua mãe biológica, sem saber. A mãe suicida com a revelação. Ed se autodestrói. Vide a peça de teatro “Édipo Rei” de Sófocles, escrita por volta de 427 a. C., na qual Édipo é punido pelos deuses por ter matado o pai, casado com a mãe, sem saber. Na atualidade, os deuses seriam o próprio estado inconsciente de Ed, as pessoas próximas, a opinião pública. Agir com inconsciência continua responsabilidade individual do ser consciente.

[3] O filme O Amor Não Tira Férias, (www.netflix.com ), The Holiday, USA 2006, é uma comédia romântica escrita e dirigida por Nancy Meyers. Após muitas desilusões amorosas, uma mulher de Los Angeles e outra de Londres resolvem trocar de casa nas férias. A interpretação de Cameron Diaz é intuição em alto grau e Kate Winslet é dedutiva. O filme visualiza os métodos. A construção do roteiro soma às boas interpretações.

 

 

 

 

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