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Artigos » EDUCAÇÃO: O QUÊ ? COMO ?

Artigo publicado no Editorial do jornal “Estado de Minas” em 22/11/97

Jorge Pereira Raggi

O que ensinar? As divergências são grandes. Os autores Cranch, E. T. e Nordby G. M. (Engineering Education, Maio 1986) citam Lebold, W.K. numa pesquisa na Purdue University, em Indiana – EUA, no início dos anos 60, para conhecer a opinião dos ex-alunos sobre o curso de graduação que tiveram. As respostas de 6.000 engenheiros, agrupadas por tempo de formatura, analisadas estatisticamente, apresentaram os resultados: ex-alunos com até 5 anos de graduação acharam que a universidade falhara no ensino das disciplinas profissionalizantes – a busca da adaptação ao mercado de trabalho produz estas sensações de faltas. Aqueles com 5 a 15 anos frisaram que o curso deveria dar maior ênfase às disciplinas das ciências básicas – é quando, dominada a adaptação ao mercado de trabalho, desenvolve-se a necessidade de buscar maior conhecimento da profissão, e ressente-se das bases que estão na física, química e a matemática. Os graduados entre 15 a 25 anos, recomendaram que o curso deveria incluir matérias sobre finanças relações de trabalho, administração e oratória. Os profissionais com mais de 25 anos de experiência opinaram que do currículo deveriam fazer partes as disciplinas: música, literatura e artes. São significativos o numero de pessoas pesquisadas e o período de bonança nos Estados Unidos. Possuíam status e qualidade de vida. Uma conclusão preliminar é que em um currículo profissionalizante deve haver a preparação sólida para o trabalho em sociedade, mas também que este deve mostrar a universidade e o evoluir da própria vida.

Como ensinar? Outra pesquisa americana (também obtida em repensando os cursos de Geologia, Mário Luis Assine, cadernos UNICAMP, 1994), segundo Stice (Engineering Education, fevereiro 1987), realizada pela Socony-Vacuum Oil Company concluiu que os estudantes retêm 10% do que lêem, 26% do que ouvem, 30% do que vêem, 50% do que vêem e ouvem, 70% do que tentam explicar e 90% do que fazem e tentam explicar. A considerar essas sinalizações , os métodos de ensino já podem priorizar mais a formação. Os meios modernos de comunicação possuem as informações armazenadas e de fácil disponibilização. Um exemplo da evolução das informações para formações seria: ao invés de se ensinarem datas, locais, os nomes e acontecimentos do período que vai da descoberta do Brasil até a independência (e vejam que não houve descoberta, existiam aqui milhões de brasileiros há milhares de anos), poderiam ser mostrado como a invasão dos portugueses avançou sobre os índios, dominou-se e depois, com a vinda forçada dos africanos, formatou o que somos atualmente. Mas implementar a formação é difícil, exigira maior preparo dos pais e dos professores. O mais comum nesses processos é mudar o linguajar, repetir o conhecimento de informações.

Os resultados dessas pesquisas americanas podem ser comparados com o conhecimento que o Confúncio já possuía há 2.500 anos: 1- Com 15 anos, meu coração se aplicou ao estudo, com 30 anos, eu podia manter-me em pé. Com 40, estava livre de dúvidas. Com 50, conheci o Mandato Celeste (a natureza e a sociedade humana). Com 60 anos, tornei-me obediente a ele. Com 70 tornei-me capaz de seguir livremente os desejos do meu espírito, sem transgredir os limites do que é justo. 2-Eu ouço e esqueço; eu vejo e lembro; eu faço e entendo.

Agora que nós, adultos, evoluímos o suficiente para dar liberdade aos jovens, precisaríamos evoluir mais um passo:ao invés de informar, propiciar condições para a formação por meio de exposições audiovisuais; experimentações; visitas a hospitais, penitenciarias e favelas; mais contatos com a natureza; conhecimento dos processos produtivos por interação com a agricultura, mineração, móveis, papel, comunicação, química, construção, comércio , finanças, e música, literatura, artes. E quem sabe, os jovens retribuíram com mais respeito aos adultos?

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