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Artigos » ECONOMIA FÍSICA E VIRTUAL : DERIVATIVOS MINERAIS

jorgeraggi@geoconomica.com.br

Os derivativos como contrato a termo – entregas futuras a preços especificados – e como opções, que dão a oportunidade de comprar e vender a preços prefixados, são instrumentos antigos. A bolha das tulipas na Holanda, no início do século XVII, é um dos exemplos clássicos da notável capacidade de crescimento do virtual e do perigo que comportam. “O produto das transações com derivativos é a própria incerteza “ escreveu Peter Bernstein em “Desafio aos Deuses”.

Em 1973 a criação das bases modernas para a administração de riscos de Black e Sholes, apoiado pela Texas Instruments com a sua calculadora permitindo definir quanto vale uma opção no tempo, e a Bolsa de Chigado fornecendo pela primeira vez aos negociantes de opções de ações : contratos padronizados, dando liquidez às opções, disponibilização para a compra e venda as opções, prometendo rápida regulamentação e rapidez na informação pública de todas as transações, deram condições de adicionar os derivativos na economia.

Wall Street criou novas unidades e engenheiros financeiros desenvolveram produtos de administração de riscos relacionados a taxas de juros, a moedas, a commodities. Em 1995 já havia duzentas empresas com valores “nocionais” de US$ 18 trilhões – US$ 14 trilhões concentrados em seis grandes bancos. Valor nocional é o valor total do contrato. Até esta data poderia haver alguns controles.

O BIS – Bank for International Settlements, em 1995, calculou em US$ 41 trilhões o valor nocional dos derivativos no mundo, expandindo os existentes nos Estados Unidos – mas excluindo os negociados em Bolsas Organizadas. E conclui que se cada parte obrigasse o resgate imediato o prejuízo dos credores poderia chegar a US$ 1,7 trilhões ou 4,3 % do valor nocional.

Mas o empurrão americano dado por Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve Board, atestada por sua declaração pública em novembro de 1994 inaugurou uma nova era com as conseqüências atuais :

“Existem pessoas que acham que o papel do supervisor do banco é minimizar, ou mesmo eliminar, seus fracassos; mas essa visão é equivocada, em minha opinião. A disposição em assumir riscos é essencial ao crescimento de uma economia de livre mercado … Se todos os poupadores e seus intermediários financeiros investissem somente em ativos livres de riscos, o potencial de crescimento das empresas jamais se realizaria.”

A Economia Virtual maior do que a Física veio para ficar. O que podemos fazer em um estado denominado “Minas Gerais” ? Porque não seguimos a China que ao invés do minério de ferro exporta aço e equipamentos ?

Talvez porque a China há 30 anos tinha a mesma produção siderúrgica brasileira teve Vontade Política, Gerência, Aplicação Massiça de Recursos Financeiros e Produção Mineral. Aqui temos só a Produção Mineral.

Como a Economia Virtual pode nos ajudar ? A partir de 2005 foi dada a partida massiçamente de derivativos em mineração. Um link entre a economia física em mineração com a virtual pode alavancar os resultados.

Mas antes um choque de realidade. Duas empresa projetam o Brasil na produção mineral : Petrobrás e Vale. Se extrairmos a produção delas não temos expressão no mundo. E já fomos o maior produtor mundial de ouro e diamantes entre meados do século XVII e meados do século XIX.

Mineração é água, minerais energéticos, metálicos, não-metálicos, industriais, de construção, fertilizantes. A mineração no mundo antecedeu à agricultura. Lâminas de machados, pederneiras para produzir faíscas e acender o fogo, pontas de flechas, facas, furadores, sua industrialização e utilização é que permitiram nossa ascendência sobre os animais que eram, na antiguidade, mais predadores do que nós. Não existiria cidades sem mineração. E, ingenuamente, a sociedade quer energia, produtos limpos, mas não quer a mineração, de onde tudo isso é produzido.

Um depósito mineral tem três etapas distintas para seu conhecimento e valor físico : estimativas – recursos – reservas. Estimar é avaliar com poucos recursos investidos e considerar medidas, qualidades e quantidades com aproximações. Recursos exige conhecimento geológico com sondagens, análises físico – químicas, testes de produção. Reserva exige viabilidade econômica para a produção.

O derivativo em mineração consiste em considerar as estimativas como possibilidades de vir a ser reservas e mais, minas em produção. No entanto para ir de estimativas a reservas a probabilidade de sucesso é de 1 %. Este dado é comprovado pelo Departamento Nacional da Produção Mineral, pelas grandes empresas de mineração, e por todos profissionais de mineração.

Colocar uma mina em operação é um esforço hercúleo. Gerar riquezas em mineração significa muito suor, lama (pois produzimos nas chuvas), e sangue – o setor aínda tem muitos acidentes. Não podemos exportar poluição fora do ambiente de produção. Mas não há como produzir sem suor, lama e sangue. É um desconhecimento social do setor mais básico da organização social.

A partir de 2001, e principalmente do escândalo da Bre – X canadense que falsearam um grande depósito de ouro na Indonésia, existem normas internacionais de auditoria para os depósitos minerais (NI 43 – 101 e JORC).

Os ativos minerais como água, petróleo, gás, carvão, ouro, ferro, alumínio, cobre, chumbo, níquel, estanho, zinco, prata, platina, cobalto, urânio, entre outros, possuem condições de receber cotações “in situ”, na natureza onde foram gerados, antes da industrialização. Aplicando as normas internacionais para Avaliação de Depósitos Minerais, que podem e devem ser auditadas, podemos criar riquezas, lastreadas na realidade. Minas Gerais e o Brasil possuem muitos lastros reais de minérios para criar derivativos com riscos menores.

 

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