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Artigos » Avaliação, Recursos e Reservas em um depósito mineral.

Avaliação, RECURSOS e RESERVAS em um depósito mineral.

Após o escândalo da Bre – X no Canadá em 1997 [1] houve esforços, em todos os países desenvolvidos, no sentido de tornar mais confiável os relatórios sobre a qualidade e a quantidade do conteúdo mineral de um depósito. As Normas na ONU, nos Estados Unidos da América, nas Bolsas de Valores, e principalmente nas empresas, cada vez mais avançam para difundirem os conceitos de recursos e reservas em todo o mundo, conforme o quadro [2]:

Figura 1 Relação Geral entre Resultados de Exploração, Recursos Minerais e Reservas Minerais.

Os Recursos Inferidos estão fora do quadro, mas já se apóiam nos serviços de pesquisas em uma área.

Na gestão Front end Loading, o FEL 1, abrange das idéias aos primeiros serviços de pesquisas.[3]

Figura 2 Gestão de pesquisa mineral – FEL [3]

Ou com enfoque no tempo das pesquisas e o valor do ativo mineral, a fase de Exploração vai do início à determinação de Recursos. [4]

Figura 3: Estágios dos projetos em mineração – Exploração [4]

Como nós brasileiros somos muito criativos, um grande número de informes que circulam sobre depósitos minerais merecem ser destacados e considerados antes de Recursos Inferidos. Neste caso, quando não há serviços de pesquisas minerais, ou o que existe não tem ainda condições de definições, deveria receber a titulação de INFORMAÇÕES ou de modo mais valorizado, AVALIAÇÃO.

AVALIAÇÃO pode ser até uma sabedoria, quando sentimos que sabemos, de forma não racional. Prevalece uma sensação, uma confiança interna, da qual é necessária na vida, que se manifesta como uma impressão forte em nosso ser. Difere de CONHECIMENTO, que é o que pode ser verificado por outros, é o que pode ser replicável. São as conclusões advindas das pesquisas, por exemplo. O CONHECIMENTO exige a verificação, a comprovação racional, difere então da sabedoria intuitiva que cada um de nós tem dentro de si. [5]

Quando não existem provas baseadas em pesquisas minerais locais, ou estas são insuficientes, ou foram executadas fora dos padrões que as atuais normas exigem, é mais fácil tentar supervalorar utilizando deduções. Infelizmente, muitas vezes, quando utilizado de má fé, uma AVALIAÇÃO pode ter o intuito de maximizar o valor de uma ocorrência mineral, ou até nos moldes da Bre – X, quantificar o que não existe de fato. O fluxo que observamos no Brasil, e também em muitas partes do mundo em desenvolvimento, no setor mineral, teria as seguintes partes:

A Avaliação está no fluxo acima em branco como destaque. Para somar, em um depósito mineral, precisa dizer a que veioO(s) profissional [is] que elaboram e assinam uma AVALIAÇÃO, poderão até afirmar que SENTEM que o depósito mineral tem toneladas de conteúdo mineral com as qualidades  e está valorada em R$ z reais.[6] Porém para serem mais precisos, diante do setor mineral e dos investidores, devem esclarecer que não há pesquisas minerais na área, em condições de conceituar Recursos.

A AVALIAÇÃO pode conter dados bibliográficos, mapas de localização, geologia regional ampliada, geofísica aérea regional e com detalhes, ampliada na localização, comparações com depósitos vizinhos ou com a mesma forma de mineralização, mas não tem suficientes pesquisas minerais locais para determinar Recursos Inferidos. E estaria muito longe de qualificar e quantificar Reservas. Quem possui experiência no setor percebe se houve ou não serviços de pesquisas na área avaliada, mesmo que isto não esteja destacado com clareza. Vale a colocação de Arthur Levitt, ex – Chairman da SEC, em Janeiro de 2008 sobre a NI 43 – 101, em tradução livre:

“Aqueles que fazem as regras não podem impor um comportamento ético – e nem evitar escândalos. Mas podem criar condições que atuem nos mercados em que todos aqueles envolvidos entendam que o campo de jogo está nivelado”. [4]

REFERÊNCIAS:

Gestão de Projetos de Mineração – Riscos de Investimentos. Raggi, J. (2013).  Em LinkedIn e www.geoconomica.com.br

A Mineração e o Setor Financeiro. (2014) Jorge Raggi, Geoconômica. Marcelo del Giudice,Eng. Metalurgista, M.Sc. Maus IMM . Em LinkedIn e www.geoconomica.com.br

[1] Bre-X . Em 1993, um grupo de empresas canadenses (Bre-X, 2010) adquiriu uma propriedade em área de floresta junto ao rio Busang, em Borneo, na Indonésia. A primeira estimativa de recursos foi da ordem de dois milhões de onça troy de ouro (uma onça equivale a 31,1 gramas). Em 1995 já atingia 30 milhões de onças, em 1996 eram 60 milhões e em 1997, segundo estimativas de uma conhecida consultoria independente do Canadá, 70 milhões (2.177 t de ouro contido). Neste mesmo ano, relatórios elevavam para 200 milhões de onças troy (mais de 6.000 toneladas de ouro). A ação da Bre-X atingiu a cotação de CA$ 280, o que representava um valor da empresa de US$ 4.4 bilhões (bem acima dos US$ 3,3 bilhões obtidos no leilão do controle da Vale em 1997).

Grandes empresas, como a Placer Dome, tentaram adquirir a Bre-X, mas o governo indonésio do presidente Suharto se envolveu no caso e exigiu que o controle ficasse com a grande mineradora canadense Barrick Gold, em associação com sua filha, Siti Hardiyanti Rukmana. A Bre-X buscou apoio em outros dois filhos do presidente e vendeu seus direitos (45%) à Freeport-McMoRan em 17/02/1997. Em um mês a fraude foi descoberta por esta empresa americana. Os testes em amostras-chaves revelaram que havia quantias insignificantes de ouro na área, e mais, o ouro nas amostras não era do local.O escândalo provocou uma reação das bolsas de valores internacionais, e pode ter desvalorizado o valor da Vale em leilão para privatização, diante de apenas dois grupos interessados.

[2] Guia CBRR para declaração de resultados de exploração, recursos e reservas minerais. CBRR. 2016. 55p.  Para quem não é do Setor de Mineração, no site “NI 43 – 101 technical report” são encontrados vários relatórios de recursos e reservas.

[3]IPA: Independent Project Analysis – Adaptado

[4] Mining Disclosure Essentials: NI 43-101 reporting fundamentals, industry best practices, and useful guidance for TSX and TSXV issuers. TSX & TSX Venture. 2018

[5] “Talento & Oportunidades” de Jorge Raggi, 2009. Ed. E – papers. RJ, em uma abordagem dos estudos e pesquisas de J. Piaget sobre a diferença entre sabedoria e conhecimento.

[6] A partir desses dados pode ainda ser considerados percentuais do custo de produção em relação ao valor da commodity, elaborar projeções futuras do valor da commodity, fluxos de caixas descontados, e uma gama de colocações que valorizam a AVALIAÇÃO – mas pode faltar o principal, serviços de pesquisas locais. Porém uma vez esclarecido, a AVALIAÇÃO pode somar.

 

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