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Artigos » Cadeia de Valor em Pesquisa Mineral

A tradução literal de value chain é cadeia de valor. O conceito de chain pode ser melhor entendido como um entrelaçamento, encadeamento, rede, conjunto de elementos interligados, em que cada elo se justapõe ao anterior, ao posterior e com os laterais, criando mais valor. Uma cadeia (rede) de valor descreve uma relação dinâmica, complexa, com objetivos claros.

Como primeiro exemplo, se o foco é uma pesquisa de calcário, para estruturar sua cadeia de valor, cabe a pergunta inicial: calcário para qual ou quais usos? Pode ser pó calcário, brita, cal ou cimento, dependendo da localização, demanda existente, capacidade de investimento. Uma pesquisa de metais pode iniciar, junto a outras atividades, com amostragem para definições de tipos de minérios, rotas do processo, amostragem de grande volume para testes em planta piloto. Em uma pesquisa de diamantes a lavra experimental (amostragem de grande volume) permitiria responder à questão primordial: qual o valor médio do quilate do potencial depósito? Esta estratégia de foco em resultados pode produzir melhores relações custos / benefícios em pesquisa mineral.

O conhecimento de rotas de processos é essencial antes de iniciar a pesquisa mineral. É o caso de terras raras, que não são terras, e também não são mais raras. A metalurgia para obtenção de concentrados, a redução de contaminantes e o mercado para colocação da produção pode ser tão importantes como a identificação de um significativo depósito mineral.

O mineral grafita pode ilustrar uma cadeia de valor em pesquisa mineral. Os primeiros trabalhos podem amostrar e já definir os usos em diferentes níveis. Usos mais nobres: baterias para equipamentos digitais. Usos médios como aços especiais, refratários, tintas, lubrificantes, fundição. Usos mais comuns em retardante de fogo, peças sinterizadas, escovas de motores. Ao descobrir uma ocorrência de grafita a pesquisa da qualidade pode avançar junto com a pesquisa da quantidade. E até mesmo a qualidade se sobrepor à quantidade. Imaginar a busca de um depósito de grafita para produzir grafeno não tem sentido, porque uma pequena quantidade de grafita é suficiente para uma unidade de produção de grafeno.

Assim, nossa proposição é após a descoberta de uma ocorrência mineral, e antes mesmo de investir em infraestrutura, iniciar a pesquisar a qualidade do minério com a montagem de sua cadeia de valor. Uma amostragem dentro das normas internacionais de pesquisa, análises de amostras e rotas de processos em laboratórios, e se possível, testes em planta piloto de grandes volumes, indo da amostra bruta ao produto final. No caso da grafita, caminhar nas várias etapas do seu processo de transformação como britagem, moagem, flotação, filtragem, secagem, lixiviação, para identificar sua cadeia de valor até o produto final. Ainda com a grafita, a sustentabilidade da produção mineral exige o planejamento da reutilização, e, ou reciclagem. Cada um dos produtos da grafita, por sua vez, terá outra cadeia de valor, constituindo redes de valor. Os próprios descartes pode se transformar em novas matérias primas.

Este artigo, originalmente publicado na DOM – a revista da Fundação Dom Cabral, julho – outubro 2009, foi atualizado em 2017.

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